
-Comentário
Qual a relação que os indivíduos estabelecem com a tecnologia? Eis a questão a que David Weinberger procura responder em 'What the Web is for?'.
O autor apresenta uma ideia dicotómica entre o 'mundo físico' e a Web, a qual possibilita 'uma nova forma de estar ligados'. Para fundamentar este paradigma são apresentados vários exemplos: e-mails,´chats' e 'messenger'. Salienta também o facto de 'nada ter provocado tanta agitação como o aparecimento da Internet'.
Este pensamento tem eco em Manuel Castells ao defender que '...no final do século XX, vivemos um desses raros períodos da história...' E porquê? É 'um período caracterizado pela transformação da nossa cultura material operada por um novo paradigma organizado em torno das tecnologias da informação'.
O professor de filosofia, David Wienberg, aborda o tema da interacção dos indivíduos e revela outra característica positivista ao mencionar que este meio de comunicação promotor de mudança pode transformar o ser em melhor humano. A Web cria aproximação ao contrário do que acontece no 'mundo físico', que apresenta complexas barreiras físicas e sociais a promover esse afastamento. O autor defende ainda que 'os indivíduos são entendidos como tal, devido ao facto de se interligarem' e a Web permite isso mesmo, aproximando os seres humanos, tornando-os melhores, através da partilha de gostos e afinidades. É um passo de gigante em direcção à modernidade, uma vez que, antigamente, a aproximação entre os indivíduos estabelecia-se, limitadamente, através dos telefones, substituídos massivamente pelos telemóveis, símbolos importantes de portabilidade. Para Dominique Wolton, basta observar a escravidão que já constitui o telefone móvel para compreender a alienação do estar em 'rede'. Weinberg reconhece que as tecnologias vieram alterar as sociedades, mas o que havia no passado continua a existir. Defende a Internet como ponto de encontro de interesses, sendo esses mesmo interesses o ponto de ligação ao contrário do 'mundo físico', no qual, as barreiras físicas limitam o contacto. Com esta exposição entende-se a sua 'Abordagem Interactivista', mostrando uma vez mais proximidade de pensamento a Manuel Castells, defensor desta corrente ideológica entre os anos noventa e o começo do século XX. Quais os pressupostos da Abordagem Interactivista? A tecnologia acha-se como causa e consequência. Não faz sentido, por isso, a pergunta quem transforma o quê? Não faz sentido perguntar se a tecnologia transforma a sociedade do Determinismo Tecnológico de Dominique Wolton, ou se é a sociedade a desencadear a eclosão da tecnologia -- o chamado Construtivismo, corrente de pensamento desenvolvida entre os anos 70 e 80. Manuel Castells advoga que existe é uma relação gradativa e dialéctica entre sociedade e tecnologia ('É claro que a tecnologia não determina a sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica'), alertando para o facto das funções atribuídas à rede virtual, não como um meio de substituição, mas como outro modo de acesso ('as comunidades virtuais não têm de ser opostas às comunidades físicas:são diferentes(...) com regras e dinâmicas específicas...').
A Web é um sistema de comunicação, mas é também um potente instrumento de informação, que para o escritor 'fornece mais uma alternativa'. O investigador Derrick de Kerckhove também apologista desta corrente salienta no seu livro A pele da Cultura que, 'no caso da utilização da rede, o utilizador procura a informação que mais lhe interessa'. O fundamental para esta teoria que estabelece uma ponte entre o Determinismo Tecnológico e o Construtivismo é ter acesso e poder interagir. E para ter impacto é necessário democratizar a massificação através do envolvimento do maior número de indivíduos para que se desenvolva. Pelo contrário, Dominique Wolton apresenta resistências à mudança ao defender que 'não há nada de mais perigoso' do que atribuir-se à Web um grande poder de 'aproximação entre os homens'. Não aceita a influência da tecnologia na sociedade.
Em síntese, a tese defendida por Kranzberg, também partilhada por Manuel Castells, segundo a qual 'a tecnologia não é boa nem é má, mas também não é neutra' assenta no princípio de que o sistema é virtuoso mas está dependente da natureza da sua utilização. A sociedade tem de estar preparada e dar respostas a esta forma de organização social.
Quem não apanhar o 'comboio do progresso' ficará apeado e terá muitas dificuldades em acompanhar o ritmo deste mundo (físico e virtual) em permanente mutação. Basta atentar no discurso do actual primeiro-ministro, José Sócrates, que coloca as 'novas tecnologias' na primeira linha das suas intervenções. Há uma diferença, contudo, entre os processos de intenção e a realidade, porque em muitos lugares do País não há sequer computadores quanto mais hábitos de intercomunicação através da Rede.
O professor de filosofia, David Wienberg, aborda o tema da interacção dos indivíduos e revela outra característica positivista ao mencionar que este meio de comunicação promotor de mudança pode transformar o ser em melhor humano. A Web cria aproximação ao contrário do que acontece no 'mundo físico', que apresenta complexas barreiras físicas e sociais a promover esse afastamento. O autor defende ainda que 'os indivíduos são entendidos como tal, devido ao facto de se interligarem' e a Web permite isso mesmo, aproximando os seres humanos, tornando-os melhores, através da partilha de gostos e afinidades. É um passo de gigante em direcção à modernidade, uma vez que, antigamente, a aproximação entre os indivíduos estabelecia-se, limitadamente, através dos telefones, substituídos massivamente pelos telemóveis, símbolos importantes de portabilidade. Para Dominique Wolton, basta observar a escravidão que já constitui o telefone móvel para compreender a alienação do estar em 'rede'. Weinberg reconhece que as tecnologias vieram alterar as sociedades, mas o que havia no passado continua a existir. Defende a Internet como ponto de encontro de interesses, sendo esses mesmo interesses o ponto de ligação ao contrário do 'mundo físico', no qual, as barreiras físicas limitam o contacto. Com esta exposição entende-se a sua 'Abordagem Interactivista', mostrando uma vez mais proximidade de pensamento a Manuel Castells, defensor desta corrente ideológica entre os anos noventa e o começo do século XX. Quais os pressupostos da Abordagem Interactivista? A tecnologia acha-se como causa e consequência. Não faz sentido, por isso, a pergunta quem transforma o quê? Não faz sentido perguntar se a tecnologia transforma a sociedade do Determinismo Tecnológico de Dominique Wolton, ou se é a sociedade a desencadear a eclosão da tecnologia -- o chamado Construtivismo, corrente de pensamento desenvolvida entre os anos 70 e 80. Manuel Castells advoga que existe é uma relação gradativa e dialéctica entre sociedade e tecnologia ('É claro que a tecnologia não determina a sociedade, nem a sociedade escreve o curso da transformação tecnológica'), alertando para o facto das funções atribuídas à rede virtual, não como um meio de substituição, mas como outro modo de acesso ('as comunidades virtuais não têm de ser opostas às comunidades físicas:são diferentes(...) com regras e dinâmicas específicas...').
A Web é um sistema de comunicação, mas é também um potente instrumento de informação, que para o escritor 'fornece mais uma alternativa'. O investigador Derrick de Kerckhove também apologista desta corrente salienta no seu livro A pele da Cultura que, 'no caso da utilização da rede, o utilizador procura a informação que mais lhe interessa'. O fundamental para esta teoria que estabelece uma ponte entre o Determinismo Tecnológico e o Construtivismo é ter acesso e poder interagir. E para ter impacto é necessário democratizar a massificação através do envolvimento do maior número de indivíduos para que se desenvolva. Pelo contrário, Dominique Wolton apresenta resistências à mudança ao defender que 'não há nada de mais perigoso' do que atribuir-se à Web um grande poder de 'aproximação entre os homens'. Não aceita a influência da tecnologia na sociedade.
Em síntese, a tese defendida por Kranzberg, também partilhada por Manuel Castells, segundo a qual 'a tecnologia não é boa nem é má, mas também não é neutra' assenta no princípio de que o sistema é virtuoso mas está dependente da natureza da sua utilização. A sociedade tem de estar preparada e dar respostas a esta forma de organização social.
Quem não apanhar o 'comboio do progresso' ficará apeado e terá muitas dificuldades em acompanhar o ritmo deste mundo (físico e virtual) em permanente mutação. Basta atentar no discurso do actual primeiro-ministro, José Sócrates, que coloca as 'novas tecnologias' na primeira linha das suas intervenções. Há uma diferença, contudo, entre os processos de intenção e a realidade, porque em muitos lugares do País não há sequer computadores quanto mais hábitos de intercomunicação através da Rede.
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