-Comentário

É o indivíduo a definir o meio ou é o meio a definir o indivíduo? O ser humano é, afinal, o resultado da soma dos vários meios; o conjunto de impactos que se lhes afigura. O escritor observa as características desse meio como uma mensagem. Basta atentar que um desses meios estabelece um espectador passivo (TV) e o outro gera um espectador activo (Internet). Por outras palavras: pode estar a ser transmitido simultaneamente o mesmo tipo de produto na televisão e na Internet - e a interacção é, objectivamente, diferente. O meio, nas suas diferentes formas, não surge do nada, é sempre uma reinvenção de outro meio. Para melhor compreensão pode-se utilizar o exemplo do telégrafo (do grego, escrever à distância) no seu tempo - a Internet do século XXI. Tudo o que é novo é velho. A permanente modernização das tecnologias fazem com que cada descoberta seja ultrapassada rapidamente por uma nova descoberta. Os exemplos dos gadgets são paradigmáticos. Hoje sai um modelo aparentemente com todas as componentes tecnológicas capazes de servir os utilizadores. No dia seguinte, esse objecto pode parecer ultrapassado. É a velocidade imposta pela reinvenção das novas tecnologias, o que corresponde à evolução das actuais sociedades.
Nas Leis da Tecnologia, Krowzerg argumentou que 'tecnologias não são boas, nem são más, mas também não são neutras'. E porquê? Porque causam impactos no indivíduo. Não se trata de uma avaliação qualitativa, mas da interferência operada no quotidiano de cada um. Na sua reflexão, Jonhson chama a atenção para um dado interessante: 'aquilo que quase nunca ouvimos nas descrições das principais publicações, é que os jogos são terrivelmente, às vezes loucamente, difíceis'. O meio atrai um conjunto de características que permitem aperfeiçõar múltiplos saberes. Perde-se competências, mas ganha-se outras - como a interacção em massa. No século XXI são necessárias novas competências porque elas estão presentes em permanência nas sociedades. É importante acompanhá-las, sob o risco de se perder o comboio do progresso, e para isso é preciso desligar a corrente das condicionantes questões históricas. Ao privar-se as crianças da conquista destas novas competências, adquiridas, por exemplo, com os jogos, está-se a perder uma oportunidade de as deixar aguçar os sentidos. Há espaço para os jogos e para a literatura. É imperativo saber administrá-lo.
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