quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Nascimento da Comunidade Virtual


-Considerações

Após criação do blog, a construção da comunidade virtual tratou-se de uma experiência muito interessante porque permitiu reunir um conjunto de individuos num mundo paralelo ao físico, sem a dificuldade subjacente à marcação de encontros reais para debater uma qualquer temática. Não é de hoje a dificuldade em definir o conceito de comunidade. Em primeira análise, parece ser o conjunto daqueles que partilham ou têm algo em comum (crenças, gostos, interesses, ideologias), mas, para além disso, vive da realidade simbólica atribuida pelas emoções do(s) seu(s) criador(es). É um espaço de interacção. Esclarecem-se dúvidas, trocam-se opiniões. Apesar da escolha do tema ter recaído sobre um problema comum a todas as sociedades, não foi possível mobilizar muitos indivíduos. A sensação que se colhe é a de que cada vez é mais difícil a mobilização de pessoas para questões de natureza social, como a pobreza. Talvez a culpa sejadeste tempo em que vivemos. Percebi que o tema pobreza não disperta interesse. A (i)mobilização foi a grande dificuldade encontrada. Estamos sempre dependentes das necessidades básicas que o mundo físico nos oferece, mas temos outros níveis de necessidades (realização e pertença) que podem ser fornecidas pelas comunidades virtuais. Pela fraca adesão da comunidade estudantil académica a esta comunidade virtual- Stopobreza- percebi que este tema não se traduz nem em realização nem em pertença. A missão foi cumprida. Mobilizei-me na concepção da comunidade virtual e tentei promover o debate junto daqueles que se me juntaram na troca de opiniões e ideias sobre o assunto. Se o prazo de validade da comunidade não estivesse a expirar continuaria a investir na sua construção em busca de novos membros interessados na minha causa.

domingo, 28 de outubro de 2007

Quanto pesa o seu QI?

Quanto pesa o QI (Quoficiente de Inteligência) do Nobel, James Watson? Pela descoberta de que a molécula de ADN é uma dupla hélice, em 1953, parece que o QI pesa muito.
As suas últimas considerações ao jornal britânico The Sunday Times sobre o futuro de África e a inteligência dos negros, levanta grandes interrogações, as quais se resumem num dos seus pensamentos: ' Todas as políticas sociais se baseiam no facto de a inteligência deles ser igual à nossa, quando todas as provas mostram que não é bem assim'. Salienta o desejo de iguladade entre os seres humanos, mas justifica essa improbabilidade dizendo algo com pouca sustentação científica: ' as pessoas que têm de lidar com empregados negros sabem que isso não é verdade'. Creio que algum tipo de constrangimento vem toldando o pensamento de tão ilustre cientista, uma vez que a mesma biologia em que se apoia, já demonstrou como a massa de que é feita o ser humano é igual em todo o Mundo.
A descoberta da descodificação do genoma humano, em 2001, fez cair por terra o conceito de raça. Esta não é a primeira intervenção preconceituosa do homem que é um dos principais 'elos' de um passo gigante na ciência. No passado, já disse coisas semelhantes sobre as mulheres, os homossexuais (advogou que as mulheres em presença de um teste que demostrasse a homossexualidade de um filho deveriam abortar) e os obesos (' quando entrevistamos uma pessoas gordas, sentimo-nos mal, porque sabemos que não as vamos contratar').
Como defendo a liberdade de opinião, aliás, um direito democrático consagrado constitucionalmente, estes preconceitos fazem ecos de uma realidade que a Humanidade quer apagar da sua memória colectiva. As tentativas de discriminação e até de exterminação não podem ser observadas como 'factos normais' simplesmente porque foram acontecimentos que marcaram a História.
A conclusão de que os negros são menos inteligentes é contestada por um conjunto de cientistas de renome, o que prova que, até na ciência o debate constitui uma porta aberta para e evolução do ser humano. Certezas nesta matéria seriam redutoras para quem acha que a cor da pele não deve estabelecer a diferença, nem pela positiva, nem pela negativa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Como Enriquecer pela Internet

Alcançar a riqueza aljemada por (quase) todos parece ser tão fácil de conseguir. Para isso bastam três horas a ler o livro de Joel Greenblatt. Em ' Invista e Fique Rico' a fórmula aparece simplificada e está relacionada com cálculos obtidos através da prévia selecção de boas empresas a preços baratos.
Para passar da teoria à prática gasta-se o tempo de um clic- existe um sítio na Internet com o mesmo nome, onde pode aplicar-se imediatamente a fórmula mágica.
A mais valia deste livro é o de ter uma linguagem acessível a todo-o-mundo, mesmo que a dialéctica económica não seja totalmente perceptivel ao comum dos cidadãos.
O sentido de humor que se acha no livro é um exemplo a seguir. E ficar rico a jogar na Bolsa como o escritor do 'best-seller' 'You Can Be a Stock Market Genious', afinal não parece assim tão difícil.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Ela(s) e as letras

A família disfuncional irlandesa da escritora Anne Enright vence o Man Booker Prize 2007. Na corrida ao mais importante prémio literário para autores de língua inglesa encontravam-se seis romances. É factual, sem qualquer conotação sexista: os três favoritos foram consequência da criação literária de homens e os restantes de mulheres. De acordo com o ranking da casa de apostas online, Ladbrokes, o maior número de apostas colocava o romance de Ian McEwal, Na praia de Chesil, como o preferido, ao lado de Lloyd Jones com o seu Mr. Pip (provável vitória de dois para um). Logo a seguir, a escolha recaía sobre O Fundamentalista Relutante de Moshin Hamid, escritor paquistanês de apenas 36 anos (probabilidade de quatro para um). A senhora que se seguiu foi Nicola Barker e, por último, Indra Sinha com Animal`s People e The Gathering, de Anne Enright (probabilidade de doze para um). Nesta escolha, a última foi a primeira para o júri seleccionado anualmente por uma comissão de aconselhamento da Booker Prize Foundation. O presidente do júri, Howard Davies, considerou o final do livro brilhante, acrescentando que as últimas frases encontram-se entre as melhores que já leu. O quarto romance de Anne Enrigh trouxe-lhe o doce sabor de vencer o prestigiado Booker.
Este é um ano de literatura assinada no feminino.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Prémio de Doris

Uma das (quase) eternas candidatas ao Prémio Nobel da Literatura arrebatou este ano a distinção para juntar a uma vasta lista de outros prémios. Poderia não sobrar muito mais tempo para a escritora com 88 anos e mais de cinquenta títulos publicados. Essa seria a suprema injustiça. É a décima primeira mulher a ser agraciada com o prémio em cento e seis anos de história do prémio da Academia Sueca. Em quatro anos, os géneros empatam. Dois no masculino e dois no feminino. Talvez tenham a intenção de dizer ao Mundo que fizeram uma grande descoberta: as mulheres também escrevem. A proporcionalidade de prémios entre sexos corresponde a uma conta de aritmética. Muito mais fácil do que calcular seis por cento do PIB, e assim para uma aproximação seriam precisos mais 95 anos de prémios atribuidos exclusivamente a mulheres. Virginia Wolf, considerada uma das mais importantes escritoras inglesas, não teve tanta sorte. O mesmo sucedeu a Marguerite Yourcenar ou a outras excepcionais escritoras Ccomo as portuguesas Sofia de Mello Andersen ou Agustina Bessa Luís.

sábado, 13 de outubro de 2007

Um Nobel Nada Inconveniente

Al Gore, o rosto mais mediático, defensor do ambiente, arrecada o Prémio Nobel da Paz pelo esforço realizado na divulgação dos riscos do aquecimento global. Para surpresa de uns e resignação de outros, o ambiente está para durar na agenda setting da politica internacional com a atribuição do prémio ao Vice- Presidente da Administração Clinton. No seu filme, Uma Verdade Inconveniente, trouxe à tona da vida quotidiana um assunto cuja discussão foi adiada durante anos. Quando se deu o sinal de alerta face ao aumento do buraco do ozono, poderosos políticos subestimaram a importância de um buraco que, afinal, se considerava estar tão longe da Terra. O ambiente não era tema de discussão. Finalmente, foi aprovado, em 1997, o Protocolo de Quioto. Iniciou-se assim um novo tempo de (suposta) preocupação ambiental. Num processo permanentemente instável, com opiniões divergentes entre a Europa e os Estados Unidos, chega o ano de 2001, no qual um dos maiores poluidores do Mundo recusa negociar a implementação do protocolo. Outros valores se elevaram.. A economia tinha de prevalecer sobre tudo o resto. A Verdade Inconveniente é que o globo terrestre continua a aquecer e tem castigado, com muitos estragos, o país do maior inimigo do ambiente. Of course. Mas não só. Influentes políticos pertencentes às administrações Bush (pai e filho) riram-se quando, em 1992, Gore atestou no seu primeiro livro que 'o salvamento do ambiente tem de ser o princípio fundamental da civilização'. Com a atribuição deste prémio ao democrata, a comunidade norueguesa vem despertar todo-o-Mundo para esta ideia.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Questões da aula

O que é para si interactividade?

A interactividade define-nos como espécie. Para existir definição do indivíduo como ser humano a nível psicológico é necessário que haja interacção com outro indivíduo.
No mundo digital, pode entnder-se como o intercâmbio do indivíduo com o computador.

Que esforço, comparado com outros tipos de comunicação, pensa que a comunicação digital requer?
Existem diferentes variáveis que contribuem para um maior ou menor esforço no manuseamento da comunicação digital. É um teorema que depende do utilizador (idade, meio geográfico e meio social); suporte utilizado (complexidade dos meios). Exige competências técnicas e cognitivas que permitem filtragem da informação. Depende também do produtor (capacidade de desmultiplicação para vários públicos-alvo traz um acréscimo de esforço). Por outro lado é mais rápido, mais cómodo e implica menos esforço.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Texto de Steve Johnson: 'Tudo o que é mau faz bem'

-Comentário
Como medimos a realidade observada na sequência da leitura do texto de Steve Johnson, Tudo o que é mau faz bem ? A questão aqui suscitada indica um novo barómetro como proposta de um olhar livre de preconceitos. Se estamos habituados a medir a realidade com certo tipo de instrumentos, é chegado o tempo de utilizar outros mecanismos para consumar essa avaliação. O autor propõe não utilizar os velhos barómetros para aferir as tecnologias filhas desta época. As avaliações que fazemos são condicionadas pela história individual (educação, meio social, cultura, entre outros) e da humanidade. Estes são os dois pontos que explicam os olhares reprovadores sobre a utilização destas tecnologias. Para reforçar a sua abordagem, o autor serve-se das palavras de McLuan: 'o problema de julgar novos sistemas culturais em si mesmos é que a presença do passado recente influencia inevitavelmente a nossa visão'.
É o indivíduo a definir o meio ou é o meio a definir o indivíduo? O ser humano é, afinal, o resultado da soma dos vários meios; o conjunto de impactos que se lhes afigura. O escritor observa as características desse meio como uma mensagem. Basta atentar que um desses meios estabelece um espectador passivo (TV) e o outro gera um espectador activo (Internet). Por outras palavras: pode estar a ser transmitido simultaneamente o mesmo tipo de produto na televisão e na Internet - e a interacção é, objectivamente, diferente. O meio, nas suas diferentes formas, não surge do nada, é sempre uma reinvenção de outro meio. Para melhor compreensão pode-se utilizar o exemplo do telégrafo (do grego, escrever à distância) no seu tempo - a Internet do século XXI. Tudo o que é novo é velho. A permanente modernização das tecnologias fazem com que cada descoberta seja ultrapassada rapidamente por uma nova descoberta. Os exemplos dos gadgets são paradigmáticos. Hoje sai um modelo aparentemente com todas as componentes tecnológicas capazes de servir os utilizadores. No dia seguinte, esse objecto pode parecer ultrapassado. É a velocidade imposta pela reinvenção das novas tecnologias, o que corresponde à evolução das actuais sociedades.
Nas Leis da Tecnologia, Krowzerg argumentou que 'tecnologias não são boas, nem são más, mas também não são neutras'. E porquê? Porque causam impactos no indivíduo. Não se trata de uma avaliação qualitativa, mas da interferência operada no quotidiano de cada um. Na sua reflexão, Jonhson chama a atenção para um dado interessante: 'aquilo que quase nunca ouvimos nas descrições das principais publicações, é que os jogos são terrivelmente, às vezes loucamente, difíceis'. O meio atrai um conjunto de características que permitem aperfeiçõar múltiplos saberes. Perde-se competências, mas ganha-se outras - como a interacção em massa. No século XXI são necessárias novas competências porque elas estão presentes em permanência nas sociedades. É importante acompanhá-las, sob o risco de se perder o comboio do progresso, e para isso é preciso desligar a corrente das condicionantes questões históricas. Ao privar-se as crianças da conquista destas novas competências, adquiridas, por exemplo, com os jogos, está-se a perder uma oportunidade de as deixar aguçar os sentidos. Há espaço para os jogos e para a literatura. É imperativo saber administrá-lo.

domingo, 7 de outubro de 2007

Philip Roth

A propósito de Philip Roth seguem-se algumas considerações: criador de uma série de obras-primas da literatura moderna, destaca-se em 1997 com a Pastoral Americana, através da qual ganha o Prémio Pulitzer. Nos anos seguintes arrecada outros prémios. Em 2005,A Conspiração contra a América recebeu o prémio da Sociedade de Historiadores Americanos e foi nomeado como Melhor Livro do Ano pela New York Times Boook Review, San Francisco Chronicle, Times, Newsweek e muitas outras publicações periódicas. Acabou por conquistar o W. H. Smith Award para o Melhor Livro do Ano. Roth torna-se, assim, em 46 anos de história do prémio, no primeiro escritor a conquistá-lo por duas vezes. Em 2005, vê ainda a sua obra publicada numa colecção completa e definitiva pela Library of America. Ultimamente foram-lhe atribuídos dois dos mais prestigiados prémios do PEN: em 2006, o PEN / Nabokov 'pelo conjunto da obra [...] de originalidade constante e artisticamente perfeita' e, em 2007, o PEN /Saul Bellow de Consagração na Ficção Americana.
Como leitora recomendo: A Mancha Humana (considerado o best-seller do escritor), Animal Selvagem e o seu último livro publicado, a que deu o título de Todo-o-Mundo. Vale a pena deixarmo-nos seduzir por estas páginas que abordam temas universais.O ponto de encontro entre a felicidade e os tormentos (íntimos) da Humanidade.O olhar para dentro da complexidade das relações humanas. Para os mais curiosos, segue-se excerto de entrevista a um dos maiores escritores americanos da actualidade. Enjoy it!

A origem

Todo-o-Mundo é um espaço de encontro de mundos exteriores e interiores. De lugares comuns e encantados.
É inspirado num livro de Phillip Roth com o mesmo nome. A loja do pai da estrela maior deste romance, denominada «Joalharia de Todo-o Mundo» serviu de mote ao baptismo deste blogue, que assume a forma de uma Arca de Noé. Também suscita questões do mundo digital abordadas nas aulas da respectiva disciplina.
Outros universos surgem em forma de pensamento, crítica ou sugestão.
A escolha do verde como mancha predominante é uma forma de prestar homenagem ao planeta de Todo-o-Mundo. Como dizia Hegel, 'a relação imediata é a do todo e das partes' que devemos preservar na casa de todos nós.